Resistência Bacteriana

O que é uma bactéria resistente?

“É aquela que consegue se multiplicar na presença de concentrações de antimicrobiano maiores do que uma população bacteriana relacionada”

A existência de bactérias com resistência antimicrobiana sempre existiu. “A resistência é tão antiga quanto as próprias bactérias”, observou Nataliya Roth, cientista na BIOMIN. Bactérias intestinais encontradas em múmias com 1000 anos de idade do Império Inca revelaram ser resistentes aos antibióticos. Isto se deve ao fato que existe um certo nível resistência que chamamos de INATA. Como exemplo podemos citar que bactérias do gênero micoplasmas são resistentes aos antibióticos beta-lactâmicos pois não tem o sítio de ligação dessas drogas. Além da resistência inata, existe a resistência ADQUIRIDA a qual ocorre com o uso de antibióticos, onde ocorre uma pressão seletiva sobre os genes que conferem resistência nas populações de bactérias.

O assunto do momento é a identificação de bactérias contendo o gene mcr-1 em carne suína, que confere a resistência à colistina, fato ocorrido em novembro de 2015 na China (Liu YY, 2016). A colistina é considerada o último recurso para tratamentos de humanos em hospitais. Esse gene é considerado de fácil propagação entre as bactérias, pois é um gene plasmideal. Dessa forma a transmissão desse gene plasmideal pode ocorrer de forma transversal, o que potencializa a propagação da resitência. Já foram relatados a identificação desse gene em humanos. Na China foram avaliados 1322 amostras de pacientes de hospitais, e foi encontrado 16 contendo mcr-1. Em seguido no final do ano de 2015 cientistas relataram encontrar o mcr-1 na Dinamarca e na sequencia na Alemanha e Vietnã, Espanha e Estados Unidos.

No Brasil o gene mcr-1 foi identificado em 16 isolados de amostras de animais provenientes da região Sudeste e Sul. Além disso, esse gene foi isolado em 3 amostras clínicas de E. Coli provenientes de dois pacientes atendidos em hospitais de São Paulo e uma do Rio Grande do Norte (ANVISA, Comunicado de Risco No01/2016).

Preservar o valor medicinal

Um elemento importante para o debate sobre a redução de antibióticos envolve a definição de expectativas realistas e o enquadramento adequado do papel dos antibióticos na indústria de produção animal. “Na BIOMIN acreditamos na utilização prudente de antibióticos, o que significa preservar o valor terapêutico dos antimicrobianos para o tratamento de doenças”, afirmou Franz Waxenecker, Diretor de Desenvolvimento da BIOMIN. A utilização responsável ou prudente não significa a eliminação total de antimicrobianos em todas as circunstâncias, mas sim a sua aplicação em situações consideradas relevantes e necessárias.