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Diarreia em bezerros

Diarreia em bezerros

Sinais, prevenção e tratamento

A diarreia é o principal problema de saúde que afeta bezerros recém-nascidos. Em bovinos jovens, a maioria dos problemas de saúde está relacionada à diarreia. A diarreia é a causa mais comum de morte de bezerros não desmamados e está associada ao crescimento deficiente, aumento das exigências de mão-de-obra e aumentos de custos para os produtores.

Apesar das diferentes causas, é possível evitar totalmente a diarreia através de boas práticas de manejo, alimentação adequada e prevenção. Existem diversas opções de tratamento, dependo de cada causa.

Ocorrência

Nos Estados Unidos, praticamente 1 em cada 4 animais jovens apresenta diarreia (NAHMS Dairy 2007). Um total de 23,9% das novilhas leiteiras são afetadas pela diarreia e tratadas e estima-se que a mortalidade pré-desmame seja de 7,8%, de acordo com a Universidade de Cornell e o Sistema Nacional de Monitoramento de Saúde Animal (NAHMS – USDA, 2007), EUA, respectivamente.

Sinais e sintomas de diarreia em bezerros

Os primeiros sinais clínicos de diarreia incluem fezes aquosas, que progridem para sinais de desidratação, olhos fundos, ressecamento das membranas mucosas e alterações da pelagem (síndrome da pelagem áspera).

Os sintomas de diarreia em bezerros podem incluir:  

  • Perda de apetite 
  • Olhos fundos   
  • Dificuldade de se levantar e permanecer em pé 
  • Sinais de cólica 
  • Presença de sangue e fibrina nas fezes 

Se a diarreia não for tratada adequadamente, os bezerros podem entrar em coma hipoglicêmico e até morrer.  

Tabela 1: Avaliando a desidratação

Sinal clínicoPorcentagem de desidratação
Poucos sinais clínicos< 5%
Olhos fundos, sinal da prega por 3 a 5 segundos6 - 7%
Depressão, sinal da prega por 8 a 10 segundos, membranas mucosas secas8 - 10%
Animal deitado, extremidades frias, pulso fraco11 - 12%
Morte> 12%

Fonte: Sheila M. McGuirk, Médica Veterinária, PhD e Pamela Ruegg, Médica Veterinária, Mestre em Medicina Veterinária Preventiva. Universidade de Wisconsin-Madison, EUA

Tabela 1: Avaliando a desidratação

Sinal clínicoPorcentagem de desidratação
Poucos sinais clínicos< 5%
Olhos fundos, sinal da prega por 3 a 5 segundos6 - 7%
Depressão, sinal da prega por 8 a 10 segundos, membranas mucosas secas8 - 10%
Animal deitado, extremidades frias, pulso fraco11 - 12%
Morte> 12%

Fonte: Sheila M. McGuirk, Médica Veterinária, PhD e Pamela Ruegg, Médica Veterinária, Mestre em Medicina Veterinária Preventiva. Universidade de Wisconsin-Madison, EUA

Causas de diarreia 

Os bovinos de qualquer idade podem desenvolver diarreia como uma resposta a agentes que causam um desequilíbrio no trato gastrointestinal. Diversos agentes podem causar distúrbios intestinais, agindo de forma separada ou, em muitos casos, conjuntamente. Diversos agentes podem causar distúrbios intestinais, agindo de forma separada ou, em muitos casos, conjuntamente.

Em bovinos, a diarreia é influenciada por uma combinação de quatro fatores: 

  1. Alimentação
  2. Manejo
  3. Sistema imunológico
  4. Patógenos e toxinas

Os principais patógenos que causam diarreia em bezerros são:

  • Vírus, incluindo o rotavírus bovino (BRV), coronavírus bovino (BcoR) e vírus da diarreia viral bovina (BVDV)
  • Parasitas, como Cryptosporidium (C.) parvum e coccídios
  • Bactérias, incluindo Escherichia coli, espécies de Salmonella e Clostridium perfringens 

Os fatores de estresse, como a descorna, vacinação, caudectomia, mudanças na ração e outros fatores de manejo e ambientais, também podem contribuir para a diarreia. 

  • Mudança na rotina de alimentação (hora, temperatura e consistência)
  • Desnutrição (introdução precoce de nutrientes que necessitam de adaptação) 
  • Higiene inadequada da ração (carga de bactérias)
  • Manejo e limpeza inadequada das baias
  • Alta densidade populacional nas baias
  • Sujeira e alta umidade 

Fatores que causam diarreia em bovinos adultos:

  • Ingestão de toxinas, incluindo toxinas vegetais e micotoxinas, ou nitratos provenientes da forragem
  • Mudanças bruscas de dieta sem um curto período de adaptação (pastagem abundante ou introdução de altas concentrações de grãos na dieta, causando acidose) 
  • Digestão de grandes quantidades de ração altamente fermentável (especialmente vacas jovens no início da lactação)
  • Calor e estresse por calor 
  • Doença infecciosa

Descubra como tratar a diarreia em bezerros

Frequentemente, os bezerros são infectados por mais de um patógeno e, na maioria dos casos, apesar das diferenças entre esses agentes, o quadro clínico é semelhante: enterite com diarreia, resultando em morte devido à rápida desidratação. Vale lembrar que, em bezerros, a morte é causada por uma perda de fluidos e eletrólitos e não pela infecção. 

A terapia com fluidos orais administrada logo no início é a forma mais eficaz de combater a desidratação. E lembre-se que nunca é cedo demais para iniciar o fornecimento de eletrólitos para bezerros com diarreia. Da mesma forma, normalmente é melhor manter a alimentação dos bezerros com diarreia: aumente o número de alimentações, diminua o tamanho das porções e hidrate o animal com fluidos orais contendo eletrólitos.

Tabela 2. Requerimentos de fluidos para o tratamento de diarreiaa

Saúde do bezerro% de desidrataçãoLeite diárioFluidos orais
Bezerro sadio0%4,4 kg0 kg por dia
Diarreia leve2%4,4 kg1,1 kg por dia
Diarreia leve4%4,4 kg2,2 kg por dia
Deprimido6%4,4 kg3,3 kg por dia
Muito doente8%4,4 kg4,4 kg por dia
Deitado> 10%4,4 kgNecessita de fluidoterapia intravenosa,

A prevenção e controle de diarreia em bezerros deve começar com o manejo do colostro.

Como prevenir a diarreia em bezerros 

Os bezerros nascem com um sistema imunológico inativo, estéril e imaturo. O primeiro risco de infecção é representado pela baia de maternidade e pela mãe. Uma baia limpa e a rápida separação da mãe ajudam a reduzir a exposição aos patógenos. Garanta a saúde dos bezerros pré-desmamados dando atenção especial a essas 5 áreas principais.  

Um programa de prevenção de diarreia em bezerros deve incluir:  

  1. Minimização da exposição aos patógenos 
  2. Programa de vacinação desenvolvido com o veterinário e aplicado no momento certo e usando a técnica adequada 
  3. Manejo adequado do colostro e da alimentação 
  4. Identificação e intervenção precoces dos bezerros doentes 

Fonte: Sheila M. McGuirk, Médica Veterinária, PhD e Pamela Ruegg, Médica Veterinária, Mestre em Medicina Veterinária Preventiva 
Universidade de Wisconsin-Madison, EUA 

A prevenção da diarreia deve incluir uma estratégia para reduzir o problema em animais adultos. As fezes dos animais adultos transmitem patógenos para o ambiente, causando diarreia nos animais jovens. 

Priorize o colostro

O fenômeno do intestino aberto, que se fecha após o nascimento, é a melhor forma de fazer a transferência de imunidade da mãe para o animal recém-nascido através do colostro. A alimentação do bezerro com 3 a 4 litros de colostro de boa qualidade através de uma sonda gástrica ou mamadeira, dentro de 2 a 4 horas após o nascimento, é a melhor forma de criar imunidade e prevenir diarreias.  

Um colostro de boa qualidade fornece aos animais jovens energia rápida, imunoglobulinas e fatores relacionados à imunidade como lactoferrina, lisozimas, fatores de crescimento, hormônios, minerais e vitaminas, para que criem seu próprio sistema imunológico contra os patógenos. É uma boa prática continuar fornecendo colostro ou leite de transição 2 a 3 dias após o nascimento. A alimentação com colostro durante os 3 primeiros dias aumentou o crescimento e a capacidade de absorção da mucosa (Steinhoff Wagner, 2014).   

Leite vs. substituto do leite 

Existem discussões sobre qual é o melhor método de alimentação para bezerros – o uso de leite ou substituto do leite – e ambos os métodos têm seus defensores. É importante observar que, independente do método utilizado, é preciso manter a carga de bactérias baixa. 

O leite e o substituto do leite criam um excelente ambiente para a multiplicação de patógenos, especialmente patógenos ambientais como E. coli e Salmonella. Em muitas granjas, existe uma tendência de adoção de um processo de pasteurização mais forte, uso de leite acidificado ou produtos fitogênicos à base de óleos essenciais para fortalecer a imunidade das vacas e diminuir os patógenos. Por fim, quaisquer mudanças na alimentação devem ser seguidas de um curto período de adaptação para melhorar a digestão (do colostro para o leite, do leite para o substituto do leite).

Referências

National Animal Health Monitoring System, United States Department of Agriculture, 2002.

National Animal Health Monitoring System, United States Department of Agriculture, Dairy 2007.

National Animal Health Monitoring System, United States Department of Agriculture, 2007.

Sheila M. McGuirk, DVM, PhD, and Pamela Ruegg, DVM, MPVM. University of Wisconsin-Madison

Soluções

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