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Suplementos de levedura

Promovem a função ruminal com o tipo correto de produto de Saccharomyces cerevisiae.

A história entre os seres humanos e as leveduras remonta aos primeiros registros da civilização. A levedura Saccharomyces cerevisiae, usada desde o início dos tempos na fermentação de cereais para a fabricação de bebidas alcoólicas e na produção de dióxido de carbono que faz crescer o pão, agora é um dos principais aditivos para uso na alimentação de ruminantes.  

Digestão da forragem 

O que torna essa levedura tão eficiente na produção de ruminantes é a capacidade do animal de digerir a forragem. Os ruminantes são incapazes de digerir a celulose e as fibras presentes na forragem. Os animais não possuem as enzimas necessárias para metabolizar essa forma bruta de energia dos carboidratos. Para visualizar os organismos responsáveis pela digestão da forragem é preciso utilizar um microscópio.  

Comunidade microbiana 

Os diversos organismos da microbiota ruminal envolvem, se aderem e invadem as partículas da forragem, produzindo um conjunto de enzimas capaz de liberar o potencial da forragem. O animal hospedeiro, por sua vez, se alimenta dos produtos liberados pelas bactérias que digerem fibras e celulose ou dos compostos produzidos quando as próprias bactérias são consumidas por outros microrganismos. 

Como a levedura promove a função ruminal 

Os suplementos à base de levedura usados na alimentação de ruminantes auxiliam as bactérias no processo de digestão. Isso se dá de diversas formas. Um dos mecanismos de ação frequentemente declarados dos suplementos à base de leveduras vivas é o sequestro de oxigênio, que ajuda a promover uma condição anaeróbica no rúmen, ideal para o crescimento e atividade das bactérias ruminais benéficas responsáveis pela digestão da forragem.  

Uma desvantagem desse mecanismo é que o pH ácido do rúmen, assim como a presença de diversos microrganismos ruminais capazes de sequestrar oxigênio, podem limitar a atividade das leveduras. 

Outro mecanismo de ação dos suplementos de levedura consiste em estimular o crescimento e a atividade da microbiota que digere a forragem por meio de bioativos prebióticos. Uma abordagem de prebióticos é diferente da abordagem de suplementação com probióticos vivos. Ela pode ser mais conveniente, pois não é afetada pelo armazenamento, incorporação na ração e processamento em altas temperaturas (peletização e extrusão).  

O efeito de estimulação da microbiota ruminal não está relacionado ao sequestro de oxigênio pela própria levedura, mas sim à promoção de uma maior atividade bacteriana por meio de substâncias bioativas como os beta-glucanos e os mananoligossacarídeos. Esses prebióticos, cujo efeito já é bem conhecido, são provenientes da parede celular das leveduras. Também existem evidências de que esses mesmos bioativos são capazes de reduzir a capacidade de ligação do patógeno ao epitélio intestinal e, talvez, reduzir as respostas inflamatórias em ruminantes. 

Tipos de suplementos de levedura 

Uma das principais diferenças entre os suplementos de levedura disponíveis no mercado é o simples fato da levedura estar viva ou morta. No caso das leveduras mortas, existem também diversos métodos para degradar-las e, em alguns casos, aumentar a disponibilidade dos componentes da parede celular da levedura (os bioativos prebióticos).  

É possível hidrolisar as paredes celulares com ácidos ou usando condições alcalinas extremas, ou ainda inativar a levedura pelo calor ou submetendo-a a uma pressão suficiente para romper as células. A autólise é um método especialmente eficaz no qual as próprias enzimas da levedura rompem as paredes celulares. É possível otimizar as condições de autólise para aumentar a extensão da “lise” ou ruptura das paredes celulares. 

Autólise 

Uma degradação autolítica padronizada do conteúdo da célula de levedura oferece componentes funcionais como os beta-glucanos e mananoligossacarídeos da parede celular, ácido ribonucleico (RNA), nucleotídeos, aminoácidos e peptídeos (cadeias de aminoácidos) em uma forma pré-digerida. Esses componentes bioativos servem como fontes de nutrientes para a microbiota anaeróbica benéfica do rúmen, como as bactérias que degradam fibras e celulose, que digerem a forragem, principal componente da nutrição dos ruminantes, e estimulam as bactérias consumidoras de lactato, o que ajuda a prevenir as condições ácidas no rúmen, como a acidose ruminal subaguda (SARA). 

Benefícios dos produtos de levedura para vacas 

O estímulo dessas bactérias benéficas, assim como a prevenção de condições extremamente ácidas que limitam a atividade e a sobrevivência das bactérias responsáveis pela digestão de fibras e de celulose, podem melhorar a ingestão de alimento e a disponibilidade de energia, proteínas e outros nutrientes. Uma boa fermentação e condição ruminal resulta em inúmeros benefícios para a saúde e desempenho dos animais. 

A produção de ácidos graxos voláteis estimula o crescimento em bovinos de corte e a produção de leite em vacas leiteiras. O acetato, o ácido propiônico e o butirato são as principais fontes de energia para ruminantes. As células e fragmentos microbianos que atravessam o rúmen a partir de uma microbiota ruminal saudável também oferecem uma proporção importante (mais da metade) dos aminoácidos necessários para a produção de proteína. 

Uma boa atividade das bactérias que digerem fibras pode auxiliar na degradação de toxinas naturais, inclusive algumas micotoxinas presentes na ração. Além disso, o ácido butírico é produzido no rúmen por algumas das bactérias que digerem fibras (p. ex., a que recebeu o nome de Butyrovibrio fibrisolvens, que pode ser basicamente traduzido como “bactéria vibrante produtora de ácido butírico e degradadora de fibras”) e que utilizam o lactato (p. ex., Megasphaera elsdenii), o que estimula as papilas ruminais que, por sua vez, ajudam na absorção de ácidos graxos voláteis na corrente sanguínea dos animais. Isso oferece nutrição ao animal e modera o pH ruminal. 

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