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Eficiência alimentar

Considerando-se que o custo da ração representa até 70% do custo total na suinocultura moderna, a eficiência alimentar tem uma enorme influência na rentabilidade dos produtores.

Em suínos, a eficiência alimentar é medida pela ração consumida por unidade de ganho de peso. A eficiência alimentar é normalmente calculada como uma taxa de conversão alimentar (TCA), medida como o consumo de ração durante um período e dividida pelo ganho de peso médio diário (GPMD) nesse mesmo período.

A eficiência alimentar não é apenas o principal parâmetro de rentabilidade, mas também de sustentabilidade com relação ao uso de grãos e proteínas no planeta. Uma melhor eficiência alimentar significa uma melhor digestibilidade dos nutrientes, melhor saúde intestinal e menor produção de dejetos.

Como melhorar a eficiência alimentar em suínos

Tipicamente, um suíno de 70 kg alimentado ad libitum utiliza aproximadamente 34% do consumo diário de energia para sua mantença (Patience, 2012). Como resultado, é possível melhorar a eficiência alimentar minimizando os custos de mantença, de modo a melhorar a disponibilidade de nutrientes para o ganho de peso. Diversos fatores podem afetar a eficiência alimentar, entre eles:

  • Densidade de nutrientes
  • Forma e qualidade da ração
  • Estado de saúde
  • Ambiente
  • Aditivos para rações

Densidade de nutrientes

Os suínos utilizam os nutrientes da dieta para mantença e produção de proteínas e lipídeos. O fornecimento de energia, aminoácidos limitantes e minerais deve atender às exigências de cada fase de produção para garantir um bom crescimento dos animais.

Forma e qualidade da ração

O tamanho de partícula está fortemente correlacionado com a eficiência alimentar. Já foi demonstrado que a redução do tamanho de partícula dos ingredientes para rações aumenta sua área de superfície e melhora a digestibilidade. No entanto, partículas muito pequenas podem causar úlceras gástricas (Cappai et al., 2013) e aumentar o custo de alimentação.

Pesquisas mostraram que a eficiência alimentar aumenta entre 1% a 1,2% para cada redução de 100 mícrons no tamanho de partícula (Healy et al., 1994).

ItemTamanho de partícula, mícrons
 900700500300
Ganho de peso médio diário, libras0,840,800,850,78
Consumo médio diário de ração, librasa1,291,211,231,19
Eficiência alimentarb1,551,521,461,53
Taxa de produção, ton/hora4,062,841,630,85

Tabela 1. Efeito do tamanho de partícula da ração sobre o desempenho de crescimento de leitões na fase de creche.
Adaptado de Healy et al., 1994
aEfeito linear (p < 0,08); bQuadrático (p < 0,01).

Estado de saúde

Os suínos expostos a patógenos consomem menos ração e, portanto, apresentam um pior desempenho de crescimento. As inflamações de curta e média duração causam irritação do trato gastrointestinal e reduzem a deposição de proteínas, limitando ainda mais a absorção de nutrientes necessários para o crescimento (McCracken et al., 1999). O controle da inflamação através da redução de fatores antinutricionais, como as micotoxinas e a superexpressão de citocinas pró-inflamatórias, pode aliviar os distúrbios intestinais subsequentes.

Ambiente

É fundamental manter as condições ideais de temperatura, umidade e circulação de ar para minimizar os efeitos negativos de potenciais mudanças ambientais sobre o crescimento dos animais. As más condições de higiene podem aumentar a transmissão de doenças e afetar a eficiência alimentar. Além disso, minimizar o estresse social pode diminuir o gasto desnecessário de energia.

Aditivos para rações

A adição de aditivos funcionais para rações é fundamental para o crescimento ideal dos animais. Entre os suplementos comumente usados em rações de suínos para melhorar a eficiência alimentar estão:

  • Ácidos orgânicos
  • Probióticos
  • Aditivos fitogênicos para rações compostos por óleos essenciais e outras substâncias à base de plantas
Referências

Cappai M. G, M. Picciau, and W. Pinna. 2013. Ulcerogenic risk assessment of diets for pigs in relation to gastric lesion prevalence. BMC Vet Res. 9:36.

Healy, B. J., J. D. Hancock, G. A. Kennedy, P. J. Bramel-Cox, K. C. Behnke, and R. H. Hines. 1994. Optimum particle size of corn and hard and soft sorghum for nursery pigs. J. Anim. Sci. 72:2227.

McCracken, B. A., M. E. Spurlock, M. A. Roos, F. A. Zuckermann, and H. R. Gaskins. 1999. Biochemical and Molecular Action of Nutrients Weaning Anorexia May Contribute to Local Inflammation in the Piglet Small Intestine. J. Nutr. 129:613–619.

Patience, J. F. 2012. The Influence of Dietary Energy on Feed Efficiency in Grow-Finish Swine. In: Patience JF, editor. Feed Efficiency in Swine. Wageningen: Wageningen Academic Press. pp. 101–129.

Soluções

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