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Necrose da cauda em suínos

Sinais, causas, prevenção e tratamento

A necrose da cauda é um problema comum e difícil que pode ocorrer de forma inesperada e comprometer o desempenho de leitões jovens e animais na fase de terminação. Dependendo da gravidade, a necrose da cauda pode levar a taxas mais altas de condenação de carcaça, afetando negativamente a rentabilidade. 

Sinais 

O comprimento da cauda dos leitões varia entre 5 a 13 cm, com uma média de 9 cm. Nos leitões jovens, a necrose da cauda começa como um anel de tecido morto, que restringe o suprimento sanguíneo para a extremidade a partir daquele ponto. A cauda apresenta uma lesão escura, rígida, retraída e frágil, que se quebra com facilidade. Outra apresentação precoce desse tecido necrótico pode ocorrer na ponta da cauda, tenha ela sido cortada como uma prática de manejo ou não, que se move gradualmente na direção da inserção.  

Causas bacterianas 

Em muitos casos, a necrose da cauda está associada à ocorrência de dermatite bacteriana, como as causadas por Staphylococcus hyicus, estreptococos beta-hemolíticos e erisipela. Um desses agentes penetra na pele, gera uma inflamação que obstrui a circulação sanguínea para as extremidades e, consequentemente, causa a morte dos tecidos. 

Associada a uma contaminação bacteriana secundária está uma lesão primária que pode ser causada por:  

  • Abrasividade do piso no caminho para o bebedouro durante o período de lactação 
  • Brigas e feridas causas pelos dentes afiados dos leitões, que podem inocular bactérias da cavidade oral e superfície corporal  
  • Caudectomia com instrumentos contaminados  
  • Cauterização inadequada da parte remanescente, permitindo uma solução de continuidade 

Lesões 

Em suínos maiores, a necrose das extremidades é uma consequência comum de infecções sistêmicas, as quais causam danos arteriais e diminuem o suprimento sanguíneo, ou pode ocorrer como uma reação de hipersensibilidade do tipo III, com um acúmulo de complexos antígeno/anticorpo que causa oclusão dos capilares. Essas lesões geralmente ocorrem após um surto de doença e podem ser observadas na convalescença.

Esses tipos de lesões são observados em associação com infecções por Erisipela sp., Haemophilus parasuis e infecções sistêmicas por Salmonella, porém podem ocorrer também como parte da dermatite causada pelo circovírus suíno tipo 2 e da síndrome da nefropatia suína.  

Ambiente 

Os fatores ambientais também podem explicar a ocorrência de necrose da cauda. Alguns exemplos incluem a umidade relativa, pequenas lesões causadas pelo piso ripado das instalações e resíduos de desinfetantes alcalinos no local. 

Manejo 

Quanto ao manejo, os suínos podem apresentar comportamento de caudofagia devido à falta de interação com materiais fibrosos ou enriquecimento ambiental. A alta densidade e a competição por espaço também podem influenciar, possivelmente em resposta ao desconforto causado por temperaturas ambientes muito baixas ou muito altas, presença de correntes de ar ou disputa pelo acesso ao comedouro. A transferência dos animais e outros fatores estressantes relacionados ao ambiente podem levar à frustração e, consequentemente, à caudofagia. 

A alta densidade reduz os níveis de anticorpos dos animais, afetando a produção de colostro e leite, o que pode piorar o problema. Os leitões também ingerem endotoxinas através do leite materno e pesquisadores demonstraram que isso pode causar inflamação e a necrose das orelhas e da cauda. 

Endotoxinas 

A prevalência de endotoxinas também tende a reduzir as funções hepática e renal. Isso reduz a eficiência de coagulação, o que agrava o sangramento nas áreas necróticas e possivelmente aumenta o interesse dos animais em morder. 

Nutrição 

Uma dieta não balanceada com deficiência de biotina, triptofano, sal, proteínas ou alguns aminoácidos específicos pode favorecer a ocorrência de necrose da cauda. O excesso de energia e o desconforto intestinal também podem ser fatores contribuintes. Por outro lado, o excesso de proteína associado à falta de fibras também pode favorecer a ocorrência do problema, pois ocorre uma redução do peristaltismo e da acidez intestinal, o que favorece o crescimento de bactérias Gram-negativas. A falta de água ou sua contaminação também favorecem a ocorrência de necrose da cauda. Esses desequilíbrios nutricionais favorecem o aumento da produção de subprodutos da degradação microbiana, como os lipopolissacarídeos. Estes causam uma condição inflamatória que reduz o suprimento sanguíneo. A cauda e outras extremidades ficam doloridas, irritadas e, por fim, necrosadas. 

Micotoxinas 

A presença de aflatoxinas, tricotecenos e outras micotoxinas na ração de suínos tem sido associada a episódios de necrose da cauda e deve ser monitorada. Em caso de risco, é preciso combatê-las com produtos adsorventes e inativadores com ação enzimática. 

A condição pode ser causada pelas aminas biogênicas provenientes da degradação proteica ou pela degradação do farelo de origem animal que pode estar presente na ração. Os fatores estão presentes, portanto é preciso eliminá-los para atingir o objetivo. 

Figura 1. Necrose da cauda por micotoxicose
Figura 1. Necrose da cauda por micotoxicose
 

Fator

SintomasDetecção ou medida corretiva
Toxinas

Micotoxinas, por exemplo: 

  • Aflatoxina 
  • Tricotecenos 
  • Ergot alkaloids 

Depressão do tecido imunocompetente. 

Redução do apetite ou recusa do alimento devido à depressão neuronal direta do núcleo hipotalâmico do apetite, irritação oral/cutânea, distúrbios digestivos com úlcera e vômitos e hemorragia visceral. 

 

 

 

Positivas para Afla, DON, T-2, HT-2, FUM; matérias-primas: ELISA, ração: HPLC.
Origem das matérias-primas historicamente contaminadas 

Endotoxinas (lipopolissacarídeos)

Agalaxia, redução do peso dos leitões ao nascimento, inanição dos leitões, gangrena nas orelhas, cauda ou patas 

Epidemiologia, sinais, RT-PCR, ELISA para microrganismos Gram-negativos 

Aminas biogênicas 

Agitação, tremor, posição recumbente, taquipneia, membranas mucosas pálidas, doença da orelha azul, choque, morte, náuseas, cefaleias, erupções cutâneas e alterações na pressão arterial 

Digestibilidade das proteínas 
Ambiente 

Alta densidade populacional, ventilação, temperatura, higiene e lavagem, manipulação de materiais, mistura, criação e hierarquia 

Rever as práticas de manejo 
DoençaSarnaIrritação cutânea, atrito e tremor das orelhas

Lesões, microscopia de amostras cutâneas. 

Epidemiologia, sinais, RT-PCR, 

ELISA 

Staphylococcus aureus H 

Apatia, hiperemia da pele, bolhas, pústulas, febre 

 
Streptococcus 

Depressão, falta de coordenação, movimento de pedalagem, opistótono, convulsões, nistagmo, morte 

 
Erysipelothrix rhusiopathiae 

Depressão, febre, rigidez articular, anorexia, eritema 

 

Prevenção 

A prevenção da necrose da cauda depende da identificação e correção dos fatores desencadeantes presentes na granja. 

Tratamento 

A abordagem terapêutica considera a separação dos animais afetados em baias de tratamento, limpeza da lesão, aplicação de agentes cicatrizantes/repelentes tópicos e tratamento parenteral com antibióticos para evitar a infecção por patógenos ambientais. 

Conclusão

  • As we can see tail necrosis, whether in young or near slaughter piglets is a picture with various explanations that go through facilities, management, nutrition and infectious agents. To mitigate their impact, it is essential to conduct a thorough and thorough investigation to detect the causitive agent(s). 

Soluções

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