Vá para o conteúdo
Voltar para ínicio
Voltar
  • Redução do uso de antibióticos
  • Fitogênicos
  • Leitões
  • Suínos de engorda
  • Digestarom
  • Desempenho intestinal
  • Redução do uso de antibióticos
  • Fitogênicos
  • Leitões
  • Suínos de engorda
  • Digestarom
  • Desempenho intestinal

Efeito de Fitogênicos no Desempenho e Qualidade de carne para Suínos em Crescimento e Terminação

Os fitogênicos são um grupo de substâncias com uma tremenda ecleticidade de formas e propósitos de uso. Desde melhoria no desempenho zootécnico considerando os indicadores clássicos como ganho de peso diário e conversão alimentar até parâmetros quali e quantitativos relacionados à industrialização da carne suína.

Augusto Heck

Em resumo

Para conseguir obter o máximo desempenho técnico e econômico de tais produtos é fundamental conhecer sua composição e diferenciais. Esse conceito que é sólido na Europa já chegou a suinocultura brasileira.

O primeiro antibiótico foi descoberto na década de 20 mas tais substâncias começaram a ser produzidos em escala industrial apenas nos anos 30 e somente na final da década de 40 que as propriedades melhoradoras de desempenho em animais de produção foram confirmadas e começaram a ser exploradas. Foi em 1968 que o Relatório Swann apontou o risco de resistência bacteriana pelo uso de tais produtos na alimentação animal. Em 1997 a União Européia realizou o primeiro banimento de um destes medicamentos, e, na sequência, iniciativas pontuais de diversos países nesse mesmo sentido foram tomadas. Em 2009 a Organização Mundial da Saúde classificou a como uma das três grandes ameaças para a humanidade. O consumidor atual, cada vez mais informado, está a par do efeito negativo dessas bactérias em sua saúde e tem demandado produtos de origem animal .

A discussão sobre substâncias não antibióticas melhoradoras de desempenho classificadas bioquimicamente como ß-agonistas tais como a Ractopamina na produção de suínos e seus resíduos na carne tem despertando maior atenção devido também a preocupações do mercado consumidor. Não existe unanimidade entre os países sobre a inocuidade dessas substâncias e a sua utilização tem sido internacionalmente questionada pois o efeito dos ß-agonistas em humanos não é completamente conhecido. Por precaução a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) forneceu informações em 2009 afirmando que pessoas com doenças cardiovasculares podem estar em maior risco de eventos adversos após estimulação ß-adrenérgica.

Nesse sentido abre-se espaço para uma gama de produtos alternativos aos promotores de crescimento, dentre os quais destacam-se os fitogênicos. Fitogênicos são materiais de origem vegetal tais como ervas, especiarias, óleos essenciais ou outros extratos vegetais. Eles têm sido utilizados por muitos anos como remédios naturais pelas suas propriedades específicas. Para exemplificar seguem algumas propriedades dos fitogênicos: antimicrobiana, anti-inflamatória e antifúngica. Após a proibição de uso de promotores de crescimento na Europa muitos experimentos foram realizados para buscar produtos com propriedades anti-inflamatória e moduladora de microbiota intestinal fazendo com que a sua utilização aumentasse. Porém, além de influenciar no funcionamento do trato digestório dos suínos de produção tais substâncias são capazes de influenciar na composição e propriedades das carcaças para a industrialização.

Um dos efeitos mais relevantes dos fitogênicos é a melhora na digestibilidade dos nutrientes, em especial nos aminoácidos o que acarreta melhor ganho de peso e conversão alimentar aumentando a eficiência econômica das operações onde são utilizados. Dessa forma menos nutrientes não digeridos ficam disponíveis para os agentes nocivos, inibindo assim a sua proliferação. Os fitogênicos são capazes de estimular secreções digestivas tais como a saliva ou ácidos biliares e a atividade de enzimas digestivas.

Os fitogênicos favorecem o desenvolvimento de bactérias probióticas desejáveis como os Lactobacillus e diminuem a viabilidade de potencialmente causadoras de doença como a Escherichia coli e Clostridium perfringens por efeito antimicrobiano direto. Assim tem-se uma microbiota intestinal mais estável e funcional. Outra consequência positiva é a diminuição da produção de amônia e emissão de odor associado pela melhor digestibilidade da fração proteica da dieta dos suínos. Essa Amônia afeta de maneira importante a saúde dos suínos acarretando tosse, irritação de olhos, boca e nariz e levando a baixo consumo de ração e ganho de peso. Além da melhoria na digestibilidade a atividade anti-inflamatória potente de alguns fitogênicos que combatem processos inflamatórios intestinais subclínicos causadores de prejuízos metabólicos e zootécnicos.

Os benefícios da utilização de fitogênicos considerando características de carcaças na indústria são inúmeros. Eles conferem mais percentual de carne magra e quanto maior o peso das carcaças maior essa melhoria. Os aditivos fitogênicos podem influenciar o crescimento muscular pela ativação de vias de sinalização intracelular envolvidas na síntese de proteínas, como o metabolismo da insulina. Vários fitogênicos demonstraram estimular a secreção de insulina, aumentar a sensibilidade à insulina ou melhorar a atividade de proteínas envolvidas na cascata de sinalização intracelular da insulina. Uma regulação positiva dessas funções ativa a expressão de genes, resultando em aumento da síntese protéica e proliferação celular enquanto inibe a morte celular programada. Eventualmente isso pode resultar em maior crescimento de tecido do animal.

Considerando qualidade da carne, os fitogênicos reduzem a oxidação lipídica que o processo primário que causa perda de qualidade em produtos cárneos. Produtos de oxidação lipídica, como hidroperóxidos e aldeídos lipídicos, afetam negativamente a textura, cor, sabor, valor nutritivo e segurança dos produtos cárneos. Alguns fitogênicos são conhecidos por suas propriedades antioxidantes. Fitogênicos do grupo dos óleos essenciais afetam o metabolismo lipídico no animal gerando efeito benéfico nas enzimas antioxidantes, assim como na composição de ácidos graxos poliinsaturados em vários tecidos.

A ciência envolvida na elaboração de um produto baseado em fitogênicos reside na combinação ideal dos ingredientes e princípios ativos derivados dos vegetais. Isso demanda um profundo entendimento dos efeitos biológicos dos compostos neles existentes no organismo do suíno. Ter uma combinação de diferentes ingredientes vegetais tais como ervas e especiarias na forma integral finamente moída maximiza o potencial dos óleos essenciais, extratos não voláteis ou moléculas ativas. A interação dos constituintes trabalhando de maneira harmoniosa associados faz de um fitogênico formulado mais potente que a soma de suas porções individuais.

Conclusão:

  • Os fitogênicos são um grupo de substâncias com uma tremenda ecleticidade de formas e propósitos de uso. Desde melhoria no desempenho zootécnico considerando os indicadores clássicos como ganho de peso diário e conversão alimentar até parâmetros quali e quantitativos relacionados à industrialização da carne suína. Para conseguir obter o máximo desempenho técnico e econômico de tais produtos é fundamental conhecer sua composição e diferenciais. Esse conceito que é sólido na Europa já chegou a suinocultura brasileira.