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O uso dos Antibióticos Promotores de Crescimento - APC

Os antibióticos promotores de crescimento (APC) ou aditivos melhoradores de desempenho são medicamentos utilizados na produção animal em diferentes e diminutas dosagens, com o intuito de redução da inflamação a nível intestinal e, consequentemente, melhoria dos parâmetros zootécnicos.

Leticia Braga

Os antibióticos promotores de crescimento (APC) ou aditivos melhoradores de desempenho são medicamentos utilizados na produção animal em diferentes e diminutas dosagens, com o intuito de redução da inflamação a nível intestinal e, consequentemente, melhoria dos parâmetros zootécnicos.

Os antibióticos promotores de crescimento (APC) ou aditivos melhoradores de desempenho são medicamentos utilizados na produção animal em diferentes e diminutas dosagens, com o intuito de redução da inflamação a nível intestinal e, consequentemente, melhoria dos parâmetros zootécnicos.

Sabe-se que alguns antimicrobianos exercem efeitos colaterais fisiológicos, característicos de cada grupo químico, mas uma característica que têm em geral é se acumularem nas células do sistema inflamatório e reduzir a resposta imune local (Van den Broek, 1989; Labro, 1998, 2000).

Em referência a esse tema, Niewold descreve a ação dos APC como sendo sobre a redução da infecção bacteriana subclínica, diminuição da produção de metabólitos prejudiciais ao hospedeiro e consumo de nutrientes pela microbiota intestinal, reduzindo o gasto metabólico com a resposta inflamatória e disponibilizando mais nutrientes para a absorção intestinal (Niewold, 2007).

Os APC têm sido largamente utilizados nas últimas décadas em criações industriais com intuito de melhorar os resultados ou índices zootécnicos. Normalmente, são fornecidos nas rações animais, em doses subterapêuticas ou doses abaixo da dose de Concentração Inibitória Mínima (CIM) para alguns microorganismos, o que pode influenciar na seleção de cepas mais resistentes a ação dos antibióticos disponíveis.

A resistência aos antimicrobianos pode ser causada por mutações espontâneas, aquisição de genes exógenos (transopons ou genes móveis) transferidos de outras bactérias de maneira direta ou por seleção de populações resistentes às concentrações sub-inibitórias utilizadas.

A medicina humana contribui com esse fenômeno através do uso de antimicrobianos de maneira inadequada e sem a prescrição médica, enquanto a produção animal pode contribuir por meio da utilização de sub-doses (APC) em uso profilático e contínuo. Pode haver eliminação de resíduos no ambiente por meio dos dejetos e assim a introdução de cepas multirresistentes na cadeia de produção de alimentos.

Indícios de que o uso rotineiro de APC em animais de produção pode reduzir a eficiência desses medicamentos frente a infecções bacterianas em animais e humanos; por proporcionar a seleção de patógenos resistentes a vários antibióticos (Manie et al., 1998; Grady, 1999); têm sido reportados mais frequentemente e ações para evitar esse fenômeno têm sido sistematicamente tomadas em todo o mundo.

O início da redução do uso de antibióticos na produção animal se deu com a proibição do uso dos APC na Suécia e Dinamarca em 1996.  Em 2000 a OMS recomendou que os antibióticos de uso em humanos não deveriam ser usados como APC. Em 2006 a UE proibiu o uso de todos os antibióticos como promotores de crescimento, de modo que seu uso é permitido somente de maneira terapêutica.

No Brasil a restrição do uso de antibióticos como APC é assunto de grande interesse pela comunidade científica e da cadeia de produção de carnes. Em 2018 o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) proibiu definitivamente o uso do Sulfato de Colistina como APC para produção de aves e suínos por se tratar de um antibiótico criticamente importante para humanos, pois há correlação para a seleção de cepas altamente resistentes em infecções hospitalares.

Atualmente encontra-se em fase de consulta pública a Portaria nº 171, da SDA (Secretaria de Defesa Agropecuária), ligada ao MAPA, publicada em 19/12/2018 no DOU(Diário Oficial da União). Sugestões e questionamentos técnicos serão recebidos até 18 de março de 2019.

O uso dos antimicrobianos tilosina, lincomicina, virginamicina, bacitracina e tiamulina com a finalidade de aditivos melhoradores de desempenho em animais produtores de alimentos será proibido“.

A referida normativa segue a tendência mundial de preocupação frente a seleção de bactérias resistentes a várias moléculas antimicrobianas quando do uso como antibióticos promotores de crescimento ou aditivos melhoradores de desempenho em animais para produção de carnes, e está alinhada com as sugestões da OMS (Organização Mundial de Saúde), OIE (Organização Mundial de Saúde Animal), FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) e o Codex Alimentarius.

Os APC são ferramentas importantes na história de sucesso nas produções intensivas no Brasil e no mundo, porém a demanda pela produção de alimentos mais seguros e sem a possibilidade de presença de resíduos de antibióticos levou ao uso mais criterioso dos antibióticos na o que normalmente é chamado de uso racional dos antibióticos. Assim, criou-se a possibilidade de desenvolvimento e aperfeiçoamento de uma nova classe de aditivos na produção animal, onde produtos naturais e alternativos como os próbióticos, prébióticos, simbióticos, ácidos orgânicos e fitogênicos têm conquistado maior participação nas dietas dos animais de produção. Com este tipo de produtos, o foco são os microrganismos benéficos aos animais, que são estimulados a se multiplicarem mais, processo chamado de modulação da microbiota, permitindo assim uma melhoria da saúde intestinal.

A manutenção do desempenho zootécnico, sem os promotores de crescimento, pode ser mantida e até mesmo melhorada com o uso dos aditivos alternativos. Contudo é necessário reavaliar todo o sistema de produção, sendo necessário um correto diagnóstico dos patógenos presentes, ajuste no manejo dos animais, biosseguridade, programa de vacinação, ambiência, atenta análise da qualidade de matérias primas e o uso de estratégias nutricionais que propiciam uma boa saúde intestinal. Aliado a estas premissas, temos o desenvolvimento de produtos alternativos como os pró e prebióticos, ácidos orgânicos e fitogênicos com ação na modulação da microbiota intestinal como novas ferramentas para garantir os índices de desempenho zootécnicos obtidos nos últimos anos com a mesma eficiência observada com o uso dos APC.

Referências:

GRADY, D. EUA vai rever uso de antibiótico para animais. Estado de São Paulo, São Paulo, 9 mar, 1999. Geral, p.A13.

LABRO, M. T. 1998. Antibacterial agents-phagocytes: New concepts for old in immunomodulation. Int. J. Antimicrob. Agents 10:11 –21.

LABRO, M. T. 2000. Interference of antibacterial agents with phagocyte function: Immunomodulation or immunofairy tales . Clin. Microbiol. Rev.13:615 – 650.

MANIE, T., KHAN, S., BROZEL, V.S. et al. Antimicrobial resistance of bacteria isolated from slaughtered and retail chickens in South America. Lett. Appl. Microbiol., v.26, p.253–258, 1998.  

NIEWOLD; The Nonantibiotic Anti-Inflammatory Effect of Antimicrobial Growth Promoters, the Real Mode of Action? A Hypothesis, Poultry Science, Volume 86, Issue 4, 1 April 2007, Pages 605–609, https://doi.org/10.1093/ps/86.4.605

VAN DEN BROEK, P.J. 1989. Antimicrobial drugs, microorganisms and phagocytes.

Reviews of Infectious Diseases,11:213-245.

GRADY, D. EUA vai rever uso de antibiótico para animais. Estado de São Paulo, São Paulo, 9 mar, 1999. Geral, p.A13.

LABRO, M. T. 1998. Antibacterial agents-phagocytes: New concepts for old in immunomodulation. Int. J. Antimicrob. Agents 10:11 –21.

LABRO, M. T. 2000. Interference of antibacterial agents with phagocyte function: Immunomodulation or immunofairy tales . Clin. Microbiol. Rev.13:615 – 650.

MANIE, T., KHAN, S., BROZEL, V.S. et al. Antimicrobial resistance of bacteria isolated from slaughtered and retail chickens in South America. Lett. Appl. Microbiol., v.26, p.253–258, 1998.  

NIEWOLD; The Nonantibiotic Anti-Inflammatory Effect of Antimicrobial Growth Promoters, the Real Mode of Action? A Hypothesis, Poultry Science, Volume 86, Issue 4, 1 April 2007, Pages 605–609, https://doi.org/10.1093/ps/86.4.605

VAN DEN BROEK, P.J. 1989. Antimicrobial drugs, microorganisms and phagocytes.

Reviews of Infectious Diseases,11:213-245.